sábado, 19 de outubro de 2024

Denúncia questiona origem do patrimônio de Ramos, ex-presidente do Sindicato dos Comerciários

    A cidade de Paulista está em alerta diante de novas acusações que colocam Ramos, ex-presidente do Sindicato dos Comerciários do Recife, envolvido em uma denúncia que questiona a origem dos bens acumulados ao longo de sua extensa carreira. Embora tenha declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um patrimônio considerado modesto, os relatos indicam que ele possui vários imóveis de alto valor, além de veículos e propriedades rurais que não condizem com o valor informado. A principal dúvida levantada é: de onde vem o dinheiro que Ramos utiliza para adquirir esses bens?



       A denúncia aponta que Ramos seria proprietário de várias casas em Jardim Paulista, avaliadas em mais de R$ 200 mil cada, além de uma Amarok de R$ 150 mil. Ele também teria um sítio de 5 hectares na Mumbeca, avaliado em R$ 700 mil, uma casa de praia em Catuama e um terreno em Jardim Paulista Alto, próximo à rede da Chesf, avaliado em R$ 300 mil. Entre seus bens mais notáveis, destaca-se um casarão antigo ao lado do Sindicato dos Comerciários, cujo valor ultrapassa R$ 500 mil. Todos esses bens, no entanto, não estariam devidamente declarados à Justiça Eleitoral, o que sugere uma possível prática de sonegação fiscal e ocultação de patrimônio.

    As suspeitas se agravam pelo fato de que Ramos, além de acumular esses bens, mantém uma rotina de atendimento a dezenas de pessoas em sua residência, que buscam ajuda financeira, médica e alimentícia. Fontes indicam que esses atendimentos são financiados com recursos cuja origem é questionada. O padrão de vida de Ramos, muito superior ao patrimônio declarado, levanta dúvidas sobre a utilização de dinheiro do Sindicato dos Comerciários para finalidades pessoais.

    A denúncia sugere que Ramos tem usado o sindicato para autopromoção política e para garantir benefícios a seus familiares. Ele exerceu controle absoluto sobre a entidade por mais de 40 anos, período no qual se elegeu vereador de Recife, deputado estadual, além de garantir aposentadoria para si, familiares e amigos. Seus recursos políticos também teriam sido direcionados para promover as candidaturas de suas filhas, Amanda e Luana, em campanhas para vereadora e deputada federal, respectivamente.

    De acordo com relatos, o dinheiro para financiar essas campanhas viria de contribuições sindicais, que chegam a ultrapassar R$ 1 milhão por ano, além de verbas partidárias destinadas à promoção de candidaturas femininas. Outra crítica que reforça a denúncia é o uso de serviços e funcionários do sindicato para atender demandas pessoais de Ramos e sua base eleitoral. Recursos do sindicato estariam sendo usados para pagar contas de luz, água, consultas médicas e até mesmo alimentos, supostamente destinados aos trabalhadores do comércio de Recife, mas que acabariam atendendo aos interesses pessoais do ex-presidente.

    A estrutura do sindicato teria se tornado, segundo a denúncia, uma "mina de ouro" para Ramos, que teria empregados da entidade trabalhando em suas residências e propriedades, desviando recursos que deveriam beneficiar os trabalhadores. Isso levanta sérios questionamentos sobre a origem de seu patrimônio e a forma como ele utilizaria recursos públicos caso fosse eleito para a prefeitura de Paulista.

    Com a entrada de Ramos na corrida eleitoral, surgem novas dúvidas sobre sua integridade e a maneira como ele geriria as finanças públicas, considerando o histórico de suspeitas envolvendo a administração dos recursos do Sindicato dos Comerciários. A população de Paulista acompanha de perto os desdobramentos dessa denúncia, que pode impactar diretamente as eleições municipais.

    Essas acusações ainda não foram formalmente investigadas, mas a discrepância entre o patrimônio declarado e o estilo de vida de Ramos coloca em dúvida sua transparência e ética política, especialmente em um momento em que o município de Paulista busca líderes comprometidos com o combate à corrupção e a boa governança.

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